quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Correio INFA 66




Quando casais se dispõem a conversar sobre as dificuldades que encontram no casamento, vêm à tona as questões da tão apreciada liberdade e da independência de cada um. Como conciliar liberdade e independência com uma vida a dois, uma vida de casal? Como permanecer um EU, um TU, livres e independentes, com projetos pessoais fortalecidos, e ao mesmo tempo tornar-se um NÓS, criando e desenvolvendo projetos comuns, projetos de casal?

 

Casal: eu, tu, nós

 

  Deonira L. Viganó La Rosa

                                                                       Terapeuta de Casal e Família. Mestre em Psicologia.
                                                                                                                 deonira@terra.com.br

 

Este é um dos maiores desafios do casamento, hoje muito mais do que em tempos passados, já que antes quem casava se dispunha a renunciar a os projetos pessoais, ainda que fossem julgados essenciais, principalmente por um dos membros do casal, quase sempre a mulher.

 

Casais hodiernos dizem sentir-se oprimidos entre o desejo de fusão com o outro e o desejo de ser eles mesmos, de guardar um jardim secreto irredutível onde sua liberdade possa realizar-se plenamente, sem que o outro apareça como uma sombra toda vez que um dos dois deseja alçar um voo livre.

 

Na verdade o desejo secreto parece ser este: quero viver as regalias de solteiro, da independência total, da liberdade, quero crescer sem amarras, mas também quero ser casado, quero as regalias do companheirismo, dos filhos. E são especialmente atacados por este vírus os que casam com mais idade, acostumados a não depender de ninguém. “Não depender” é relativo, pois não existe quem não dependa de alguém e de alguma coisa, somos todos interdependentes, mas aqui tratamos da condição específica do casamento.


Nossa história nos condiciona

 

A origem destes conflitos muitas vezes se encontra em nossa história pessoal.  Cada um de nós carrega uma mala nas costas onde se aninha tudo o que já vivemos anteriormente e agora passa a influenciar nosso comportamento, sem que estejamos sempre conscientes disto. E muitos de nossos comportamentos são apenas uma projeção daquilo que está na mala. É como quando vamos ao cinema, nunca olhamos para trás onde está rodando o filme, só olhamos a projeção do filme que está na tela, na nossa frente. Mas ali não está o filme, apenas sua projeção. Frequentemente o que vemos nos outros é só uma projeção de nós mesmos.

 

A capacidade de encontrar a justa medida entre ser livre e independente e ao mesmo tempo ser interdependente, ser vinculado seriamente com alguém, está relacionada com a forma como estabelecemos os vínculos com nossa mãe, desde o ventre materno, até o jeito e a intensidade com a qual fomos formando, ou não, vínculos (laços), com a mãe, o pai, irmãos, e todas as pessoas com quem fomos convivendo.


Há pessoas que não conseguem vincular-se no casamento.


São como hóspedes dentro de casa, cumprem tarefas - até responsavelmente -, mas não criam laços, não se vinculam. Toda vez que precisam apoiar, ceder, negociar, deixar de lado caprichos, fazem disto um fogaréu, pois não sabem unir-se ao outro com afeto, sem anular-se, não sabem fazer feliz a vida comum, sem prejudicar seus projetos essenciais. Claro que a renúncia necessária nunca será aquela que fere profundamente a individualidade de cada um, respeitar este princípio é fundamental. Resta identificar o que é essencial e o que é mero capricho...

 

Não faz tempo, o Globo Repórter mostrou um casal, já de idade, que não vivia em comum, embora na mesma casa, os dois eram apenas hóspedes, cada um vivendo sua vida, e nem sequer conversavam um com o outro. Sabe-se que a psicologia estuda a chamada síndrome da hospedagem, uma disfunção de pessoas que não conseguem criar e manter vínculos (laços afetivos profundos).

 

Ser casal é aceitar a interdependência, os próprios limites, as responsabilidades de cada um e viver pela felicidade de ambos. E isto nunca acontecerá sem que cada um dos dois tenha suas fontes saudáveis de prazer, seus projetos próprios, independentes do outro cônjuge. Sem um EU e um TU fortes e saudáveis não haverá NÓS que sobreviva feliz.

                                                                                                                                                                               

  Um olhar crítico sobre o mundo não deve sufocar nossa esperança


Devemos denunciar com indignação que a maioria das famílias vive, no mundo, em condições desumanas. E isto não obstante os dois milênios de pregação humanizadora da Igreja e ações corajosas empreendidas por tantos homens e mulheres, na luta pela justiça e solidariedade nas relações entre as pessoas, grupos, raças, povos e nações.
O modelo econômico de corte predominantemente neoliberal que se quer impor a todas as nações, num cenário de globalização da economia mundial, aponta para um agravamento das injustiças sociais e a consolidação do fosso profundo entre nações ricas (hoje menos ricas) e pobres.
Também nas classes privilegiadas, mesmo dos países ricos, a falta de perspectivas e ideais de vida, produzem fuga de jovens para as drogas e a violência. O consumismo só aumenta frustrações e destruição da natureza.


Esse quadro pessimista que os modernos meios de comunicação mostram cada dia, ao vivo, a todos os habitantes deste planeta, configura uma afronta à dignidade da pessoa humana e das famílias. Está em grave contradição com o projeto de Deus.
Também na vida da Igreja, ainda numa ótica pessimista, muitas contradições persistem, conspirando contra a humanização, gerando exclusões e discriminações, questões morais e sentimentos de culpa sem consistência, que fazem sofrer desnecessariamente muitos cristãos sinceramente comprometidos com a sua fé. Legalismo e autoritarismo pouco evangélicos sufocam a criatividade e alimentam divisões internas, mágoas e ressentimentos.
Entretanto, uma observação mais atenta sobre fatos importantes e menos destacados pelos meios de comunicação social, e inúmeros acontecimentos e ações concretas que ocorrem em todo o mundo e na Igreja, traduzindo importantes conquistas para a humanização, alimenta uma perspectiva bem mais otimista para o futuro da humanidade. O cristão sabe que Deus não abandonará Seu povo, interferindo na história humana, sempre através de homens e mulheres corajosos e comprometidos com o Seu projeto humanizador.
Helio Amorim, “Descomplicando a Fé” (Ed.Paulinas)



 Pensamentos

*       Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.
*       Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
*       O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem.
*       A terra ensina-nos mais acerca de nós próprios do que todos os livros. Porque ela nos resiste.
*       Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsável por todos.
*       Se a vida não tem preço, nós comportamo-nos sempre como se alguma coisa ultrapassasse, em valor, a vida humana... Mas o quê?
*       O verdadeiro homem mede a sua força, quando se defronta com o obstáculo.
Antoine de Saint-Exupéry

infa logo

ENTIDADE FILANTRÓPICA, SEM FINS LUCRATIVOS, UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL, ESTADUAL, MUNICIPAL, REGISTRADA NOS CONSELHOS NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CNAS) E MUNICIPAL RIO DE JANEIRO (CMAS), E CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (CMDCA).

O INFA é o braço clínico de terapias especializadas do Movimento Familiar Cristão – MFC
Endereços e telefones para agendar tratamentos no Rio de Janeiro:
Rua Alzira Brandão, 459 – Tijuca – Tel. 21-2567-9899
Rua Goiás, 132 – Engenho de Dentro – Tel. 21-2269-0896
Rua Pau Brasil, 4 – Tijuquinha, Itanhangá – Tel. 21-3154-2003

Em 2011 foram mais de 30 mil sessões de terapias psicológica e fonoaudiológica de duração prolongada, atendendo por ano 1.800 pessoas que não poderiam recorrer a clínicas particulares. Este serviço é raramente oferecido na rede pública.

São 72 profissionais atuando nos três Centros de Atendimento em 18 salas de consultas com todos os horários ocupados de segunda a sexta-feira, das 08:00 às 20:00 horas.

Para apoiar este serviço, basta depositar qualquer valor na conta INFA, se possível como depósito identificado, ou informando para mfc@mls.com.br ou por telefone (21) 2567-9899. Informar nome e endereço para envio do recibo: 1.800 clientes de baixa renda familiar lhe agradecem em cada ano.

Instituto da Família – CNPJ 42.146.738/0001-01
BANCO ITAÚ
Agência: 8417 - Conta: 07901-2, Rio de Janeiro

Assembléia geral MFC cidade


Assembléia geral MFC cidade
“Povo Missionário”
Programação:
Data: Sábado 01 de dezembro de 2012
Local: Sede do Sindicato dos Bancários – Rua 2 de Julho Centro.
Horário: 13:00 às 18:00 horas
Quem Participa com direito a voz, todos os mfecistas da cidade e futuros coordenadores de grupos.
Quem tem direito ao voto: Coordenação de Cidade;
                                           Coordenadores de grupos;
                                           Coordenadores de áreas.

Programação:
            13:00 – Recepção e credenciamento -
            13:30 – Oração de abertura
Responsável: Cessído - Liturgia
            13:50 – 2012 Ano da Fé e 50 anos do Concílio Vaticano 2º;
Palestrante: Diácono Luciano
            14:20 – Palestra - MFC: Consciência, Carisma, Identidade, Unidade na Ação e Sintonia com os Sinais dos Tempos – Auristenisson da Mota Cirino
            14:50 – 18º ENA 2013 – Balanço e encaminhamentos –
Informes: Coordenação de infraestrutura 18º ENA
            15:10 – Intervalo (café)
            15:30 - Apresentação das atividades desenvolvidas pelas áreas e cidade - 05 minutos para cada apresentação.
Responsáveis – ECCi /Metodologia
            16:20 –Trabalho em grupos –– Avaliação Planejamento Estratégico 2012/2015;   
Eixos prioritários e calendário de atividades 2013.
Responsáveis - ECCi / Metodologia
           
17:00 – Plenária geral – ECCi
- Apresentação dos grupos
- Aprovação ações para 2013
- Alteração Estatuto
-Apreciação e deliberação orçamento para 2013
            –Eleição complementar cidade – Conselho Fiscal, Coordenação de Juventude e Comunicação – ECCi
            18:00 – Encerramento – Oração Final 








OBS:
·        Como nessa data 02/12 a paróquia de Santa Luzia, desde o mês de outubro fez agendamento para atividade com todos os jovens da Crisma na sede do MFC. A assembléia acontece no sábado dia 01 de dezembro no auditório do sindicato dos bancários. Ficando, portanto o Domingo livre para o convívio familiar.
·        Contamos com a compreensão e presença de todos. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Reflexões sobre o 1º módulo 18º ENA


“Famílias, abram os olhos para o século XXI!”. Com esse enunciado, o Movimento Familiar Cristão do Brasil vai para o seu 18º Encontro Nacional que acontecerá na cidade Vitória da Conquista – Bahia, de 06 a 12 de julho de 2013 e pretende chamar a atenção da sociedade para que todos compreendam a necessidade e urgência em recolocar as famílias no centro das atenções das religiões e do Estado, implementando políticas públicas destinadas às famílias. Por outro lado, clama para que as famílias se compenetrem do papel protagonista que as mesmas têm para a construção de um mundo melhor e mais justo para todos.
O primeiro módulo para nortear o debate “A CRISE PARADIGMÁTICA DA MODERNIDADE E AS IMPLICAÇÕES NO UNIVERSO FAMILIAR”, produzido pelo professor Mário Antonio Betiato, faz uma breve análise histórica, sem aprofundar sobre a experiência socialista no mundo. De passagem, cita a China e Cuba sem, no entanto, trazer qualquer dado sobre a relação Estado, famílias, políticas de amparo, educação, cultura, saúde, transporte, comunicação, etc.
Creio que o professor cumpre o seu papel em nos provocar, sacudindo tudo o que está posto radicalmente. Afirmar que as utopias pela construção de um mundo melhor para todos se sucumbiram, não é verdade. Nós, cristãos e mfecistas, continuamos acreditando e trabalhando incansavelmente pela construção de um mundo justo e fraterno, alcançando especialmente a população marginalizada. Não podemos fechar os olhos e não podemos deixar de admitir que no Brasil, nos últimos 12 anos, fruto do crescimento econômico acompanhado de variadas políticas públicas, chegou aos lares de muitas famílias anteriormente desassistidas.
Karl Marx, em seus escritos ainda atuais, dota a classe trabalhadora de um instrumento de orientação cientifica capaz de reverter sua precária situação, detalhando como se dá a mais valia, que a história da sociedade é a história da luta de classes e da exploração do homem pelo homem. Entendia inclusive, que as mudanças pensadas por ele com base na realidade analisada, aconteceriam na Inglaterra, por ser exatamente o país onde as forças econômica, cultural e social atingiriam o ápice e que as mudanças sociais ocorreriam com esse desenvolvimento com a abolição da propriedade e que cada um teria de acordo com o seu trabalho.Marx não escreveu que haveria uma igualdade social econômica linear, tampouco que uma sociedade suportaria manter aqueles que vivem como sanguessugas. Os marxistas em suas mais variadas interpretações distorcem o original.

O neoliberalismo sim, essa fase superior do capitalismo, onde a financeirização,consumismo,domínio das grandes redes de comunicação,farmacos e alimentos, tudo abarcou, inclusive transformando o homem e a mulher em mercadorias, merece uma análise mais apurada da nossa parte, inclusive nos preparando para contribuir no enfrentamento desse leviatan. Esses momentos que estamos vivenciando, os princípios familiares não importam, onde prevalece o egocentrismo, o eu, a razão, o ter. É verdade que o homem se tornou coisa como previu Marx e Engels no Manifesto do Partido Comunista de 1848. No mais, concordo com a análise do professor.

Eduardo Moraes
ECCi Vitória da Conquista - Bahia

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Divulgado o primeiro módulo dos estudos pré-ENA

"A Coordenação Nacional do MFC, através da equipe de Metodologia e Conteúdo, disponibiliza o primeiro módulo de estudo do 18º ENA. Este estudo visa o aprofundamento do conteúdo do tema e o lema do encontro. Em especial, esta primeira edição apresenta a crise paradigmática atual e suas implicações nas famílias. Confiram a matéria do jornal Atuaação aqui."

A LEI E A CONSCIÊNCIA NEGRA - Artigo de James Magalhães de Medeiros




A LEI E A CONSCIÊNCIA NEGRA

M
ais do que o DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, o 20 de novembro simboliza, à cada ano, um momento para reflexão. A data, sancionada em 2011 pela presidente Dilma, como o DIA NACIONAL DE ZUMBI E DA CONSCIÊNCIA NEGRA, foi escolhida por ser considerado o dia em que o líder negro do Quilombo dos Palmares morreu, lutando pela liberdade de um povo oprimido e retirado do seio de sua mãe África para ser escravizado no Brasil, fato acontecido em 1695.

Mas, creio que muita gente não sabia que o Quilombo dos Palmares ficava na Serra da Barriga, no município alagoano de União dos Palmares, sendo um dos motivos para que em 2003, o então presidente Lula, assinasse a Lei 10.639/2003, incluindo a data no calendário escolar, e tornando obrigatório o ensino sobre a História e a Cultura Afro-Brasileira.
       
As fugas e a criação dos quilombos foram frutos da violência praticada contra os escravos e de acordo com estudiosos, a fase em prol da abolição iniciou-se por volta de 1880, quando surgiram as sociedades secretas como o Clube do Cupim, em Recife e os Caifazes, em São Paulo, que reuniam pessoas de várias profissões, brancos, negros e mulatos com o objetivo de combater a escravidão, inclusive utilizando a imprensa.
        
Não é exagero comparar a escravidão ao holocausto, visto que a idéia de dizimar aqueles considerados “diferentes” era seguida nas duas ocasiões. Na época da escravidão, o Estado efetuou a legalização do sistema escravista, mediante a instauração de uma ordem jurídica que não hesitava em definir os negros como objetos da propriedade.
        
Nessa época, os direitos individuais não eram considerados, visto que a Constituição Imperial de 1824 ignorou o problema da desigualdade, enraizado no regime escravagista brasileiro. Mas, importantes leis foram sancionadas para acabar com a escravidão, a exemplo da Lei do Ventre Livre, também conhecida como “Lei Rio Branco”, promulgada em 28 de setembro de 1871 e considerando livres todos os filhos de mulheres escravas, nascidos a partir de então. Em 1885 foi aprovada a lei Saraiva - Cotegipe ou dos Sexagenários, que beneficiava os negros de mais de 65 anos. Mas, só em maio de 1888, através da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, houve a abolição da escravatura.
        
A evolução do pensamento e das leis possibilitou que todos, independente de raça e cor, tivessem os mesmo direitos. No entanto, a falta de políticas públicas ainda faz com que os negros lotem as prisões brasileiras e estejam entre aqueles que mais sofrem, com a criminalidade e a pobreza. Mudar essa realidade parece algo difícil, mas não impossível. Assim sendo, recorro mais uma vez ao pensamento de Rui Barbosa: “A escravidão do negro é a mutilação da liberdade do branco”.

http://mfcmaceio.blogspot.com.br/

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A SABEDORIA DO SILENCIAR




Até os insensatos quando se calam passam por sábios

Sócrates, o sábio filósofo grego, dizia que a eloquência é, muitas vezes, uma maneira de exaltar falsamente o que é pequeno e de diminuir o que é, de fato, grande. A palavra pode ser mal-usada, mascarada e empregada para a dissimulação. É por isso que os sábios sempre ensinaram que só devemos falar alguma coisa “quando as nossas palavras forem mais valiosas que o nosso silêncio”. A razão é simples: nossas palavras têm poder para construir ou para destruir. Elas podem gerar a paz, a concórdia, o conforto, o consolo, mas podem também gerar ódio, ressentimento, angústia, tristeza e muito mais. “Mesmo o estulto, quando se cala, passa por sábio, por inteligente, aquele que fecha os lábios” (Pr 17,28).
O silêncio é valioso, sobretudo quando estamos em uma situação difícil, quando é preciso mais ouvir do que falar, mais pensar do que agir, mais meditar do que correr. Tanto a palavra quanto o silêncio revelam o nosso ser, a nossa alma, aquilo que vai dentro de nós. Jesus disse que “a boca fala daquilo que está cheio o coração” (cf. Lc 6,45). Basta conversar por alguns minutos com uma pessoa que podemos conhecer o seu interior revelado em suas palavras; daí a importância de saber ouvir o outro com paciência para poder conhecer de verdade a sua alma. Sem isso, corremos o risco de rotular rapidamente a pessoa com adjetivos negativos.
Sabemos que as palavras são mais poderosas que os canhões; elas provocam revoluções, conversões e muitas outras mudanças. A Bíblia, muitas vezes, chama a nossa atenção para a força das nossas palavras. “Quem é atento à palavra encontra a felicidade” (Eclo 16,20). “O coração do sábio faz sua boca sensata, e seus lábios ricos em experiência” (Eclo 16, 23). “O homem pervertido semeia discórdias, e o difamador divide os amigos” (Eclo 16,28). “A alegria de um homem está na resposta de sua boca, que bom é uma resposta oportuna!” (Pr 15,23).
Quanta discórdia existe nas famílias e nas comunidades por causa da fofoca, das calúnias, injúrias, maledicências! É preciso aprender que quando errarmos por nossas palavras, quando elas ferirem injustamente o irmão, teremos de ter a coragem sagrada de ir até ele pedir perdão. Jesus ensina que seremos julgados por nossas palavras: “Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado” (Mt 12, 36).
Nossas palavras devem sempre ser “boas”, isto é, sempre gerar o bem-estar, a edificação da alma, o consolo do coração; a correção necessária com caridade. Se não for assim, é melhor se calar. São Paulo tem um ensinamento preciso sobre quando e como usar a preciosidade desse dom que Deus nos deu que é a palavra: “Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem” (Ef 4, 29).
Erramos muito com nossas palavras; mas por quê?
Em primeiro lugar porque somos orgulhosos, queremos logo “ter a palavra” na frente dos outros; mal entendemos o problema ou o assunto e já queremos dar “a nossa opinião”, que muitas vezes é vazia, insensata, porque imatura, irrefletida. Outras vezes, erramos porque as pronunciamos com o “sangue quente”; quando a alma está agitada. Nesta hora, a grandeza de alma está em se calar, em conter a fúria, em dominar o ego ferido e buscar a fortaleza no silêncio.
Fale com sinceridade, reaja com bom senso e sem exaltação e sem raiva e expresse sua opinião com cautela, depois que entender bem o que está em discussão. Muitas vezes, nos debates, estamos cansados de ver tanta gente falando e poucos dispostos a ouvir. Os grandes homens são aqueles que abrem a boca quando os outros já não têm mais o que dizer. Mas, para isso, é preciso muito exercício de vontade; é preciso da graça de Deus porque a nossa natureza sozinha não se contém.
Deus nos fala no silêncio, quando a agitação da alma cessou; quando a brisa suave substitui a tempestade; quando a Sua palavra cala fundo na nossa alma; porque ela é “eficaz e capaz de discernir os pensamentos de nosso coração” (cf Hb 4,12).
Foto

Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com